
Decisões
Um pouco da minha vida...
Às vezes temos que tomar certas decisões em nossas vidas, precisamos ousar, ir mais além do que aquela esquina. Nossa vida é repleta de decisões e atitudes. Precisamos ter a coragem necessária para desbravarmos os obstáculos que surgem pelo meio do caminho, só assim conseguiremos conquistar novos horizontes.
Nunca tive medo de ousar, de lutar por meus objetivos, mesmo que para isso tenha feito como uma flecha. A flecha é puxada para atrás com a finalidade de se ganhar impulso para que a mesma possa alcançar pontos cada vez mais longe.
Por diversas vezes em minha vida, larguei tudo e comecei da estaca zero. Sempre que achei necessário, sempre que percebi que as coisas não estavam como eu desejava, não pensava duas vezes, recomeçava novamente, mesmo que tivesse que recomeçar do zero, ou mesmo que tivesse que começar por um caminho totalmente diferente.
Assim fiz com meu casamento, achei que não estava sendo bom para nenhum de nós dois, larguei tudo, casa, bens, marido, sai sem nada, comecei totalmente do zero, mais ou menos como diz o poeta "sem lenço e sem documento". Fui para uma casa vazia, onde a única coisa que ocupava minhas novas paredes eram o som da minha voz ecoando e eu.
Alimentei-me de sonhos e esperanças, reconstrui minha vida e dois anos depois trouxe minha mãe para morar comigo, sou filha única, ela precisa de cuidados e só pode contar comigo.
Não foi fácil, trabalhar em quatro escola, cursar faculdade, estagiar, cuidar de casa, filho e ainda da minha mãe (que por diversas vezes passou meses internada, como está agora).
Mas... Consegui!!!
O que não consigo é aceitar a idéia dessas pessoas que passam o dia reclamando da vida, da falta de tempo. Nosso tempo, nós mesmo fazemos.
Como uma pessoa conseguiria trabalhar manhã e tarde, de segunda a sexta, pulando de escola em escola, cursar faculdade a noite, fazer monografia (eu mesma fiz a minha, não comprei, rs), fazer estágio e curso no sábado, e de quebra cuidar de casa, roupa e trabalhos escolares do filho no domingo? E por incrível que pareça ainda tinha disposição para ir em todas as festinhas que surgissem durante a semana.
E consegui, mesmo tendo que muitas vezes ir trabalhar pernoitada, por ter ficado a madrugada toda fazendo monografia (era a única hora que sobrava do meu dia). Vivi assim durante dois anos, só diminui o ritmo quando minha mãe veio morar comigo, pois tinha que revezar meus afazeres com as visitas ao hospital.
Então, não aceito essa história que "eu não tenho tempo", "eu não aguento".
Temos tempo e aguentamos muita coisa quando realmente desejamos alcançar um objetivo, quando realmente lutamos por nossos sonhos, quando realmente nos disponibilizamos para nós mesmo, quando não criamos empecilhos para alcançarmos nossas metas.
Se você quiser ir naquele show do seu cantor favorito, mas esse show é no meio da semana e no outro dia você tem que trabalhar bem cedinho. O que você faz? Você pode até me responder que não vai ao show, mas se você estava louquinho para ir nesse show e ganhou as entradas vip de um grande amigo, nessas entradas tem um determinado valor de consumação de cortesia, você ainda sim vai deixar de ir ao show?
Você deve estar pensando, dessa forma, só se eu fosse muito idiota. É lógico que eu iria.
Só não se esqueça de que no outro dia você tem que trabalhar, não poderá chegar atrasado, nem faltar, pois tem reunião as sete com o seu chefe, e sua continuidade no emprego depende dessa reunião.
Forcei um pouquinho a barra, não foi mesmo? Mas, foi só para demonstrar que quando realmente desejamos algo não medimos esforços. Arrumamos um jeito para tudo, conseguimos com quem deixar as crianças, com quem pegar o carro emprestado e tudo mais o que for necessário para poder ir aquele show tão sonhado, assim como para qualquer outra coisa em nossa vida.
"Somos o que queremos ser, fazemos o que desejamos fazer, conseguimos o que realmente sonhamos, só não conseguimos aquilo que nós mesmo nos "obstáculamos"".
Ao final dessa minha jornada, cheguei a um ponto muito além daquele que me encontrava quando me separei (qualquer ponto era além daquele em que me encontrei, rs). Porém, esse ponto era bem menor do que o ponto que eu almejava chegar.
Decidi então fazer mais uma reviravolta de 360° em minha vida, queria mudar, buscar novos horizontes, conquistar novas possibilidades. A competitividade do RJ e a desvalorização profissional dos professores me limitavam.
Queria mesmo era sair dali, algo me dizia que me daria bem em MG, mas como ir para Minas sem conhecer ninguém por lá? Como escolher uma de suas cidades se não conhecia nenhuma delas?
A voz dizendo, vai para MG persistia em ecoar em meus ouvidos...
O ano letivo terminou, não renovei o contrato com as escolas. Comecei a pesquisar cidades de MG que não fossem "cidades do interior", essas cidades tinham que ser próximas ao RJ. Achei Juiz de Fora, li algo sobre a cidade na Internet (fiz uma viagem virtual por todos os aspectos da cidade. Benefícios da tecnologia, rs), questionei algumas pessoas que conheciam a cidade ou que já moraram lá. Acabei me encantando pela cidade sem nunca ter pisado em suas terras.
Resolvi conhecer Juiz de Fora de perto. Arrumei as malas e fui rumo ao desconhecido.
Chegando na cidade, não sabia ao menos o que estava procurando, só tinha certeza de que deveria estar ali. Não sabia ao menos para que lado ir ou o que procurar. Mesmo meio sem rumo, não poderia deixar de analisar algumas possibilidades na cidade, como emprego, moradia e escola para o meu filho, por exemplo.
Está bem, já sabia o que eu queria, mas como começar a procurar isso tudo? Vou perguntar o que para as pessoas? Onde tem escola? Onde tem casa? Ou onde tem algum emprego por ai? Iriam me chamar de louca, rs (E será que estava ficando mesmo louca? Só pode ser louca quem dá ouvidos a uma voz que vem não se sabe de onde, rs).
Já estava hospedada na cidade, saindo do hotel, parei no meio da rua... Não sabia nem em que direção estava indo... Avistei uma Lan House, decidi entrar para conversar virtualmente com uma amiga do RJ e rir um pouco da loucura que eu estava fazendo. Aproveitei o computador da Lan para improvisar um currículo, afinal não custava nada deixar alguns na cidade.
Comecei a vagar, sem saber para onde estava andando, sabia apenas que se o destino tinha me trazido até ali, algo de bom deveria estar me esperando...
Cansada de muito andar, parei para fumar meu cigarrinho, escolhi um banquinho na entrada do Senac, afinal estava com uma sombra fabulosa. Lembrei-me então do pedido do meu filho: - Mãe, fotografa tudo por lá, quero ver como é!
Resolvi tirar uma fotografia sentada na entrada da Instituição, vendo a foto (facilidade que temos atualmente com o uso das maquinas digitais), comecei a rir sozinha pensando em coloca-la no Orkut, imaginei postar a seguinte frase: "meu novo emprego".
Foi quando sai de minhas imaginações e refleti: Porque não? Estou aqui mesmo, o que tenho a perder?
Entrei e perguntei a recepcionista como fazia para deixar um currículo, ela pediu que eu entrasse e procurasse a coordenadora.
Assim fiz, chegando lá, a coordenadora, uma pessoa sensacionalmente educada, um anjo meigo que Deus colocou aqui na Terra com o nome de Marta, me recebeu, quando olhou meu currículo, perguntou:
- Quer trabalhar?
Balancei a cabeça de forma afirmativa e ela continuou...
- Tem algum problema em ter que se mudar para nossa cidade?
Expliquei-lhe meus planos, ela levantou-se e me levou na sala da diretora (outra pessoa maravilhosa, que me recebeu super bem, chamada por Lilian). Sra Marta mostrou-lhe meu currículo.
Sra Lilian sorriu e disse que eu era a pessoa a qual estava procurando a meses. Olhou mais uma vez as folhas de meu currículo, e acrescentou: - melhor ainda... Você é licenciada em informática, o emprego já é seu!
Quase cai da cadeira, meus pensamentos giravam como um furacão, custei a voltar em mim e concentrar-me novamente no que conversávamos.
Lilian fazia alguns cálculos sobre salário, falava sobre o projeto, era tanta informação que eu não entendia nada. Só entendi quando ouvi a pergunta bombástica... "Você domina Construção de Websites?"
Respondi instintivamente que sim... Mas, não dominava, na verdade era a disciplina da faculdade que eu mais odiava (creio que por causa do professor "Ligeirinho" que eu tinha, rs), nunca entendi nada do que era passado nessa aula, estava sempre perdida.
Sai da sala meio perdida, com um emprego nas mãos. Mas, o que fazer com a falta de domínio da disciplina?
Tinha planejado ficar alguns dias na cidade para conhece-la melhor, mas com esse excesso de informação, decidi fazer algumas ligações para o RJ, fechar a conta no hotel e voltar para minha casa.
Comecei a correr contra o tempo, a pesquisar, virar noites estudando, testando meus conhecimentos, até que como num passe de mágica.. zummm, aprendi!!
Fiz algumas viagens para JF, acertei algumas coisas, aluguei casa, fui para BH fazer uma capacitação já pelo Senac, até que... Mudei-me para JF, começaram as aulas.
Os planos eram trazer minha mãe e meu filho comigo. Todos achavam que eu estava louca, ou que eu estaria blefando, afinal ninguém nesse mundo conseguiria em apenas um dia arrumar emprego, casa e escola para o filho, além de fazer alguns amigos.
Minha mãe e meu filho acreditaram no meu sonho e em tudo o que lhes contava, resolveram apostar comigo e viajar nessa aventura.
Vim na frente, passaria um mês em JF e depois voltaria para busca-los, mas na primeira semana surgiu um imprevisto, minha mãe ficou novamente internada, consequentemente não poderia trazer meu filho, quem ficaria com ele?
As aulas já haviam começado... Decidi deixa-lo no RJ, viria vê-los nos finais de semana, e todos os feriados eu passaria a semana inteira com eles, se tivesse duas semanas de feriado, eu estaria duas semanas direto no RJ ao lado deles.
E assim aconteceu, os planos de trazê-los esse ano haviam afundado no momento da internação de minha mãe.
Passei e ainda passo (visto que ela continua internada) todos os finais de semana no RJ, numa correria louca, ainda bem que desde que estou aqui tem tido ao menos um feriado no mês, o que faz com que eu tenha "super folgas", permanecendo de 7 a 15 consecutivos na minha casa no Rio de Janeiro.
Enquanto que em Juiz de Fora, o sucesso das turmas era bem maior do que eu poderia ao menos sonhar, nem eu mesma acreditava na evolução das aulas, no final do dia. E olha que passar 8hs direto dentro de uma sala de aula, lecionando para professores do ensino médio da rede estadual de MG, deixaria qualquer professor com anos de prática "tremendo na base".
E mais uma vez consegui, já formei três turmas, com nenhum aluno reprovado, com nenhum aluno que não conseguisse construir a sua própria página. Estou terminando minha quarta turma, conquistei grandes amigos, brinco sempre com a seguinte frase: "não estou formando alunos, estou formando amigos!!".
Consegui porque fui ousada, porque acreditei na voz que vinha de meu interior, porque acreditei em mim, em minha capacidade. Não fiquei me "obstáculando", criando desculpas para não tentar, não medi esforços, fui a luta dos meus sonhos.
Hoje estou aqui, feliz por ter tentado, mais feliz ainda por ter conseguido, só o fato de ter adquirido conhecimentos que antes desconhecia, só o fato de ter conquistado novos amigos, conhecido novos ares, vivido novas experiências, já valeu todo esforço até chegar aqui!!
Estou em uma nova etapa, porém houve algumas mudanças (novamente) em meus planos....
Está muito pesado para o pai do meu filho cuidar dele e do irmão, então pediu-me uma solução, ou volto para o RJ, ou então o levo logo para MG.
Advinha o que escolhi??
Estou pesquisando escola para transferi-lo, pretendo trazê-lo para morar comigo em JF já nesse feriadão.
Acha mesmo que cheguei até aqui para desistir agora??
A vozinha ainda ecoa dentro de mim, dizendo....
"Tem um pote de ouro no final do arco-íris, não desiste, você vai chegar lá, basta plantar, ser insistente... no final nascerá um lindo pé de feijão que te levará até o pote de ouro!!".
♥ღ★● ♥ღ★● Futuramente postarei mais novidades dessa minha aventura!!♥ღ★● ♥ღ★●
By Gisele Rodrigues